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Transtorno de compulsão alimentar: sinais e tratamento

A compulsão alimentar por si só não é caracterizada como doença. A doença se dá quando ocorrem episódios recorrentes de compulsão sem que haja qualquer ato compensatório para evitar o ganho de peso, é definida de forma similar à Bulimia Nervosa. No entanto, no caso da Bulimia existe a presença de comportamento que evita o ganho de peso.

A compulsão alimentar consiste no fato do indivíduo ingerir quantidades excessivas de comida, muito além da sua capacidade e maior do que, se comparada, à ingestão de outras pessoas na mesma situação, em intervalos de tempo curto, de duas em duas horas. Aqui não se enquadra o indivíduo que tem por hábito beliscar (ingerir pequenas porções) durante todo o dia, a ingestão exagerada de comida é indispensável para a caracterização da compulsão. Aliada ainda, ao sentimento de total descontrole sobre aquilo que é ingerido. O paciente não tem controle do quanto comer e de quando parar de comer. É um transtorno psiquiátrico que pode desencadear outras patologias, como dislipidemias, hipertensão, diabetes e a obesidade.

A obesidade é um quadro clássico em que a Nutrição comportamental pode fazer muita diferença. Estudos apontam que tanto a Entrevista Motivacional, que auxilia no processo de mudança das adições, quanto a Terapia Cognitivo Comportamental, que busca a reorganização das crenças responsáveis por desencadear e manter comportamentos inadequados, diminuíram os sintomas da Compulsão Alimentar e produziram melhoras com significância estatística e clínica em sintomas de depressão e na concepção da imagem corporal, além de perda de peso. No entanto, se aliarmos à Terapia Nutricional Comportamental a Terapia dietética com plano alimentar dando ênfase à diminuição calórica o sucesso em relação à perda de peso será mais efetivo.

A maioria dos pacientes com este quadro procura o nutricionista buscando apenas uma dieta, um e-book com receitas saudáveis sem se darem conta de que a obesidade é um sintoma de algo muito maior que precisa ser tratado. Combater o sintoma apenas, não vai fazer com que o paciente consiga lidar com o transtorno que o acomete. É fundamental que o Nutricionista tenha uma escuta ativa e perceba os sinais na fala do paciente para que possa sugerir a ele outro tipo de terapia além da convencional.

O indivíduo com este tipo de transtorno possui certas características importantes que precisam ser percebidas no ato da consulta para que o nutricionista reconheça o perfil do paciente.

1- Comer mais rápido do que as outras pessoas

2- Comer até se sentir incomodado fisicamente, excessivamente cheio

3- Ingestão de grandes quantidades de alimentos mesmo quando não estiver sentindo fome física. 

4- Comer sozinho, escondido, porque sente-se envergonhado e culpado pela quantidade de comida que come e não quer se submeter ao olhar julgador do outro.

5- Sentimentos de vergonha, culpa, desgosto, depressão e nojo de si mesmo após os episódios de compulsão.

O Transtorno de compulsão alimentar é uma doença séria, e deve ser tratada com muita empatia e respeito.

 

Fabiane V. Alheira

Nutricionista

Mestre em Ciência de Alimentos

Contato: 21-985273027

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