Saiba o que foi explanado no COINE 2015 – IV Congresso Internacional de Nutrição Especializada & Expo Sem Glúten

O Centro Brasileiro de Apoio Nutricional (CBAN) realizou, nos dias 29 e 30 de maio de 2015, a quarta edição do Congresso Internacional de Nutrição Especializada e Expo Sem Glúten (COINE), no Centro de Convenções da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro.

O encontro discutiu problemas causados pelo glúten e por outros alimentos alergênicos. Para a nutricionista Denise Carreiro, a disseminação de uma cultura alimentar predominantemente constituída de produtos industrializados baseados especialmente no leite, no glúten e na soja é um dos fatores que ajuda a compreender o aumento dos casos de alergia a esses três alimentos.

As reações causadas por alimentos são divididas em dois grupos: tóxicas e não tóxicas. No primeiro tipo, as reações acontecem independentemente da suscetibilidade individual. Já no segundo caso esse fator é importante. Segundo Denise, as reações não tóxicas podem ser ainda classificadas como intolerância ou como alergia. Esses dois quadros envolvem predisposição genética e a presença de um antígeno que provoca uma reação do sistema imunológico.

Leite, glúten e soja são alimentos de difícil digestão e o consumo repetitivo deles pode causar problemas ao longo do tempo. O acúmulo de proteínas não digeridas pode levar a um processo inflamatório de baixa intensidade e, com o tempo, começam a surgir sintomas.

Dieta e doenças autoimunes

Além das reações adversas, a dieta pode se associar a outras questões, como à imunidade. Durante o encontro, o especialista Pedro Bastos discutiu como os alimentos podem funcionar como gatilhos da autoimunidade.

Segundo ele, há pelo menos 80 patologias autoimunes descritas atualmente, sendo que, entre elas, estão a doença celíaca e o diabetes tipo 1. Diferentes estudos têm revelado que proteínas do leite bovino estão associadas a esta última doença e também à esclerose múltipla, à doença de Behçet, ao lúpulos e à artrite reumatoide.

Trabalhos apontaram que a eliminação de laticínios da dieta de pacientes com artrite reumatoide melhorou os sintomas da doença, enquanto a reintrodução desses produtos piorou o quadro clínico.  O glúten também contribui para outras doenças autoimunes. Segundo Bastos, pesquisas mostram que, ao retirar esse alimento da dieta, pacientes celíacos melhoraram para outras autoimunes, como a esclerose múltipla, lúpus e diabetes tipo 1.

Nutrição e saúde tireoidiana

Nos últimos 30 anos, as doenças tireoidianas sofreram um aumento exponencial. Segundo a médica Maria Elizabeth Ayoub, especialista em nutrologia e terapia biomolecular,  a detecção de problemas nessa glândula é verificada pelos níveis de TSH e T4, mas antes iniciar qualquer tratamento, e preciso investigar a causa dessas alterações. A etapa de qualquer tratamento deve considerar a saúde intestinal e todo paciente com doença tireoidiana deve ser investigado quanto à presença de doença celíaca.

Ainda de acordo com Elizabeth, é preciso investigar os níveis de zinco, ferro, selênio, vitaminas A,D e C, cobre e iodo, pois esses elementos atuam durante o funcionamento tireoidiano e as deficiências podem prejudicar o sistema.

Nutrigenética

Após o sequenciamento do genoma humano, o conhecimento sobre  questões genéticas associadas a doenças vem aumentando. Um novo campo nesse contexto é a genômica nutricional, na qual se investigam associações entre nutrientes e expressão gênica.

Lia Kubelka Back, doutora em biologia celular e do desenvolvimento e diretora clínica do laboratório Biogenetika, exemplificou os efeitos da variação genética na interação dieta-doença a partir da doença celíaca.

Segundo ela, os genes HLA-DQ2 e HLA-DQ8 estão associados à doença celíaca, embora outros também estejam envolvidos. Uma pessoa que é negativa para esses genes dificilmente apresentará a doença, mas o resultado positivo para esses genes  não significa que a pessoa é celíaca. Indica apenas que há uma predisposição pela doença.

Fonte: Agência Notisa

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