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Alimentação

Obesidade e microbiota intestinal

A obesidade é um problema global de saúde pública e a prevalência é crescente. Conforme estatísticas mundiais, 340 milhões de crianças e adolescentes possuem sobrepeso ou obesidade e 650 milhões de adultos, cerca de 13% da população, foram diagnosticados com índice de massa corporal igual ou acima de 30 Kg/m². Segundo dados recentes da VIGITEL, 19,8% dos brasileiros possuem obesidade, que é uma doença crônica, caracterizada pelo excesso de tecido adiposo e que pode estar relacionada à diversas causas como: padrão de alimentação e outros fatores ambientais, emocionais, genética e estilo de vida. Nos últimos anos, pesquisadores têm dado ênfase ao papel da microbiota intestinal em desordens metabólicas e no aumento da adiposidade corporal. 

A microbiota intestinal desempenha funções importantes no nosso organismo e consiste em um agregado de microrganismos, onde é estimado ter cem vezes mais genes do que o genoma humano. O desequilíbrio entre esses microrganismos é denominado disbiose e está associado ao predomínio de bactérias patogênicas e redução da diversidade bacteriana. Essa desregulação parece contribuir para prejuízos na imunidade e aumento da vontade de comer, da inflamação em órgãos e tecidos, do risco de resistência à insulina, síndrome metabólica, diabetes mellitus, doenças cardiovasculares, obesidade, entre outras alterações que podem ter etiologia multifatorial.

Acredita-se que a colonização de bactérias intestinais tem início na gestação, ainda intraútero, e que pode ser influenciada pelos seguintes fatores: tipo de parto, sedentarismo, nível de estresse, exposição solar, qualidade do sono, idade, uso de medicamentos, higiene, tabagismo, genética, alimentação ocidentalizada, etc. A dieta ocidental é caracterizada pelo excesso de alimentos ultraprocessados, nutricionalmente desbalanceados, com elevada densidade calórica e baixo valor nutricional. Esse padrão alimentar é pobre em fibras e rico em açúcar, gordura saturada e hidrogenada e aditivos químicos incluindo corantes, conservantes, realçadores de sabor e emulsificantes. O consumo habitual desses produtos está associado ao aumento de lipopolissacarídeos na corrente sanguínea, ativação de vias inflamatórias e, consequentemente, alteração na composição da microbiota intestinal e desenvolvimento da obesidade.

Por outro lado, a alimentação saudável e a mudança do estilo de vida podem ter efeito protetor e anti-inflamatório. A dieta equilibrada parece contribuir para redução da inflamação local e sistêmica e do armazenamento de gordura no tecido adiposo. O consumo adequado de frutas, legumes, verduras e fibras dietéticas tem sido relacionado com a melhora do perfil imunológico e metabólico, aumento da saciedade, manutenção do peso saudável, promoção da saúde intestinal e prevenção de doenças. Em se tratando de alimentação equilibrada, seguem algumas recomendações:

-Prefira alimentos in natura ou minimamente processados e preparações culinárias à produtos ultraprocessados;

-Utilize óleos, gorduras, sal e açúcar em pequenas quantidades;

-Aumente o consumo de frutas e hortaliças: a OMS recomenda a ingestão diária de 5 porções ao dia;

-Privilegie uma alimentação colorida e evite a monotonia alimentar. A variação de nutrientes e compostos bioativos geram diversos benefícios à saúde;

-Grupos de alimentos não devem ser excluídos de forma aleatória, procure um nutricionista para orientação;

-Mastigar devagar, evitar comer em pé ou andando e se alimentar em lugares tranquilos são atitudes que permitem apreciar adequadamente a alimentação. Além disso, as características do ambiente podem influenciar na quantidade de alimentos que ingerimos;

-Comer com atenção e evitar distrações como celular e televisão na hora da refeição é importante para se desfrutar do que está comendo e para o controle da ingestão alimentar;

-Procure ter rotina. Faça as refeições em horários semelhantes e evite “beliscar” ao longo do dia;

-Evite o consumo de ultraprocessados, como biscoitos recheados, refrigerantes, bebidas adoçadas e embutidos. Os ingredientes e métodos de processamento modificam desfavoravelmente a composição nutricional.

-Planeje o cardápio da semana com antecedência e evite redes de fast-food. Dê preferência à locais que servem comida caseira para dar à alimentação o espaço que ela merece.

Vívian Coimbra

Nutricionista Clínica; Mestranda em Nutrição Clínica pela UFRJ (linha de pesquisa em microbiota intestinal e obesidade); Pós graduada em Nutrição Clínica pela UFRJ; Pós graduanda em Nutrição Clínica Funcional; Nutricionista em treinamento profissional do Programa de Obesidade e Cirurgia Bariátrica do Hospital Universitário Clementino Fraga Filho da UFRJ e Membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica.

 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Vigitel Brasil, 2020: Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico. Brasília: Ministério da Saúde, 2020.
Brasil. Ministério da Saúde . Guia alimentar para a população brasileira: promovendo a alimentação saudável. Brasília: Ministério da Saúde, 2006.
Carvalho BM, Abdalla Saad MJ. Influence of Gut microbiota on subclinical inflammation and insulin resistance. Mediators Inflamm, 2013.
Shabana, Shahid SU, Irfan U. The gut microbiota and its potential role in obesity. Future Microbiol, 2018
Tamburini S. et al. The microbiome in early life: implications for health outcomes. Nature medicine, 2016.
WHO. Diet, nutrition and the prevention of chronic diseases. Geneva: World Health Organization, 2003.
______. Global Health Estimates 2016: Deaths by Cause, Age, Sex, by Country and by Region, 2000–2016. Geneva: World Health Organization, 2018.
______. Noncommunicable Diseases (NCD) Country Profiles. Geneva: World Health Organization, 2018.
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