Conheça o poder da alimentação, das vitaminas e dos suplementos, e como eles contribuem para a saúde dos cabelos

Em geral, as pessoas têm em mente que se ingerirem uma grande quantidade de vitaminas e sais minerais, os cabelos não irão cair. Mas não funciona assim.

O desafio é constante, e alguns autores têm opiniões conflitantes sobre o assunto.

O couro cabeludo precisa de proteínas, minerais, vitaminas e outros elementos para produzir novos fios saudáveis e para a fixação dos mesmos.

Sabemos da importância das vitaminas e minerais no crescimento e função celular. Mas você sabia que estas substâncias também são fundamentais para os cabelos?

É fato que a suplementação é um importante recurso para manter o equilíbrio do organismo. Afinal, a deficiência dos suplementos pode levar à perda capilar.

Mas a ciência sugere que podemos obter grande parte desses suplementos através de uma boa alimentação.

Saber o que ingerir e conhecer a qualidade destes alimentos é fundamental para a saúde tanto do couro cabeludo quanto da fibra capilar.

Vamos falar das vitaminas:

  • Vitamina A: fundamental para a visão, atua na função imune e está envolvida no crescimento e diferenciação celular. Em geral, ela é obtida por meio de uma alimentação equilibrada e balanceada.

Dessa forma, é importante considerar que excesso de vitamina A pode gerar a queda dos cabelos. Então, cuidado com aquelas ampolinhas que as pessoas costumam aplicar nos cabelos para fortalecê-los. Estamos falando de excesso e não do uso da vitamina.

  • Vitamina B: o complexo de Vitaminas B, em geral, pode ser conseguido com uma alimentação balanceada — exceto a B6 (Biotina) que é o único B produzido pelo organismo. Em indivíduos saudáveis, não há necessidade de suplementação.

B1 – Tiamina: encontrada em leveduras, castanhas, hortaliças, frutas, ovos, carnes, farelo de trigo e cereais integrais.

B2 – Riboflavina: podemos encontrá-la em vegetais verdes, leite e derivados, carne e ovos.

B3 – Niacina: adquirida através do consumo de peixes, leite e derivados, ovos, cenoura, brócolis, cereais integrais e carne vermelha.

B5 – Ácido Pantotênico: uma pesquisa recente apontou a bandeira de altas doses de Ácido Pantotênico para perda capilar. Essencial para a saúde capilar, a B5 é encontrada em tomates, brócolis, vísceras, cereais, carne e gema de ovos.

B6 – Piridoxina: vitamina que trabalha como coenzima no metabolismo de aminoácidos. Além da prevenção contra doenças cardíacas, ela também atua no aumento da imunidade e no sistema nervoso. Esta vitamina é encontrada em vísceras, carne de frango, levedura de cerveja, soja, castanhas e cereais integrais.

B7 – Biotina: a Biotina tem sido muito aproveitada nos últimos anos para uso capilar. No entanto, há que se observar seu uso contínuo e desmedido. Afinal, toda suplementação deve ser acompanhada por um especialista. Esta vitamina atua no funcionamento de algumas enzimas, e é encontrada principalmente no fígado bovino. Grande parte da biotina na dieta é encontrada em proteínas.

Uma ingestão adequada de biotina para adultos é de 30 mcg/dia segundo o FDA. Contudo, é importante ressaltar que altos teores de Biotina podem interferir em testes laboratoriais que utilizam a tecnologia biotina-estreptavidina.

Quando vamos fazer exames para medir as taxas dos hormônios tireoideanos (FT3 e FT4), hormônio paratireóide, estradiol, testosterona, progesterona, Vitamina B12, entre outros, pode haver resultados falsos negativos. Nesses casos, é necessário fazer a suspensão da vitamina com antecedência.

A deficiência de biotina pode ser genética ou adquirida. Mas o que nos interessa aqui é a deficiência adquirida, que pode ocorrer por fatores como: o uso prolongado de antibióticos, que alteram a flora intestinal, alcoolismo, ingestão de ovos crus, gravidez, doença gastrointestinal, medicamentos com ácido valpróico e ingestão de isotretinoína que interferem na atividade da biotinidase (enzima responsável pela absorção e regeneração orgânica da biotina).

Embora os sinais de deficiência de biotina sejam perda de cabelo, erupções cutâneas e unhas quebradiças, a eficácia de biotina em suplementos para cabelos, pele e unhas, como um meio de remediar essas condições, não é apoiada em estudos de larga escala. Mas ao mesmo tempo, outros teóricos apontam como um suporte para a perda capilar.

Considerando isso, algumas pessoas precisam tomar a vitamina, enquanto outras tomam sem a menor necessidade.

B9 – Ácido Fólico: importante para o metabolismo de proteínas e na síntese de DNA, a B9 está presente em vegetais folhosos, principalmente os verdes escuros, amendoim, ovos e grãos integrais

B12 – Cobalamina: depende de vários fatores e difere de acordo com cada país. Essa vitamina tem um papel importante nas proteínas.

Estudos sugerem que a B12 pode ter um bom desempenho no folículo piloso altamente proliferativo. Normalmente, os veganos fazem suplementação de B12, pois esta vitamina existe exclusivamente em alimentos de origem animal.

  • Vitamina C: a vitamina C é um antioxidante potente que protege contra os danos dos radicais livres.

Ela atua como mediadora para síntese das fibras de colágeno, além de desempenhar um papel essencial na absorção intestinal de ferro.

A ingestão de vitamina C é fundamental para pacientes com perda de cabelo associada à deficiência de ferro.

Esta vitamina é encontrada em frutas cítricas, pimentão, batatas, tomates e repolhos que já têm concentrações particularmente altas de vitamina C.

Contudo, alguns artigos recomendam a ingestão diária de vitamina C sintética para proteção e função antioxidante, ou seja, desacelerar o envelhecimento dos tecidos. Quem tem uma alta taxa de ferro deve observar a vitamina C.

  • Vitamina D: a carência de Vitamina D é relatada em várias doenças auto-imunes e também prevalece na Alopecia Androgenética devido ao seu efeito imunomodulador. No entanto, há controvérsias, sendo necessários estudos adicionais.

A vitamina D é considerada por alguns cientistas como um hormônio devido às suas funções regulatórias vitais de mais de 1.000 genes (atividades similares às dos hormônios).

Ela regula a quantidade de cálcio e fósforo em nosso organismo e pode ser encontrada na sardinha, salmão e atum. O corpo humano produz vitamina D quando o sol atinge a pele em horários específicos. Dez minutos diariamente de exposição ao sol é a recomendação.

  • Vitamina E: potente antioxidante que atua em várias deficiências imunológicas associadas à idade.

Ela está envolvida no equilíbrio oxidante/antioxidante e ajuda a proteger contra os danos dos radicais livres.

Vamos falar dos minerais:

  • Ferro: está envolvido na perda de cabelos (Eflúvio Telógeno), sendo considerado a deficiência nutricional mais comum no mundo.

Já o nível sérico de ferritina, proteína de ligação do ferro, é considerado um bom indicador dos estudos da perda de cabelo e marcador para armazenamento de ferro no corpo.

Há que se observar níveis elevados de ferritina em pacientes com comprometimentos inflamatórios, neoplásicos, distúrbios hepáticos e infecções.

  • Selênio: oligoelemento essencial para a síntese de mais de 35 proteínas, o selênio está envolvido diretamente com os cabelos que são formados essencialmente por uma proteína chamada de queratina.

O selênio é encontrado em carnes, legumes e nozes, alimentos já suficientes para suprir as necessidades desse mineral.

Altas dosagens de selênio podem causar toxicidade, resultando em sintomas como vômitos, náuseas, fragilidade das unhas, fadiga, irritabilidade e perda de cabelos.

  • Zinco: muitas pessoas me perguntam se o zinco faz bem para os cabelos. O tão famoso zinco tem como principais fontes alimentares os peixes e as carnes.

O corpo não pode gerar esse mineral sozinho, por isso, o zinco é um oligoelemento essencial.

Uma vasta literatura aponta a perda capilar como sendo um sinal de deficiência de zinco estabelecida, no entanto, isso não é um consenso e o debate está em aberto.

Sabe-se que o aumento deste oligoelemento essencial também pode gerar perda capilar. Por isso, vale a homeostase!

Atenção: o consumo de grandes quantidades de grãos de cereais, que contêm fitato como agente quelante de zinco, geram a perda de zinco e, consequentemente, a perda de cabelos.

Outras causas da perda capilar são: cirurgia bariátrica; anorexia nervosa; alcoolismo; malignidade; infecção; gravidez; etc.

O zinco não é gerado sozinho. Logo, ou você ingere carne e peixe ou terá que fazer suplementação. Um nutricionista poderá auxiliar neste processo.

Agora, vou responder a uma pergunta muito comum e que também foi recebida pela live por uma paciente muito especial.

“Se eu tiver Eflúvio Telógeno Crônico, vou ter que suplementar o resto da vida?”

Minha resposta é DEPENDE!

Em muitos casos, mudar o estilo de vida, as expectativas e o estresse diário melhoram o eflúvio. Assim, você vai precisar de uma quantidade menor de suplementação ou até de nenhuma. Mas por diversos outros motivos, como fisiológicos, você não tem imunidade baixa.

Sugiro que você sempre esteja atenta à sua imunidade e aos marcadores. Para manter uma boa imunidade, são necessários muitos elementos comuns na alimentação diária, mas algumas vezes, estes elementos têm que ser repostos.

Mas uma pergunta: “Qual a melhor alimentação para manter os cabelos saudáveis e evitar queda?”.

Não existe um alimento específico. O que sabemos é que se você, por exemplo, exagerar nos grãos de cereais vai acabar perdendo zinco e, consequentemente, os cabelos.

Já uma dieta com restrição de proteínas vai levar à perda capilar, sendo necessária a suplementação.

O ferro é essencial para a manutenção dos cabelos, mas se a ferritina não estiver dentro dos parâmetros, você vai perder cabelo, uma vez que o ferro não poderá ser fixado.

Uma alimentação saudável já oferece grande parte dos micronutrientes necessários. Alguns você fabrica, outros dependem de ingestão.

O importante é manter seus níveis bem equilibrados, diminuir o estresse por causa do cortisol e tratar dos cabelos com um profissional especializado que possa oferecer os requisitos e informações básicas para a grande batalha que é gerar novos fios saudáveis e mantê-los por mais tempo.

Este é o grande desafio da Tricologia!

Dra. Sheila Bellotti – Biomédica, Tricologista e Cosmetóloga.

Idealizadora do Centro Capilar Sheila Bellotti, atua há mais de 30 anos com equipe multidisciplinar na área da Tricologia.
Biomedicina – IBMR Centro Universitário RJ;
MBA em Cosmetologia – Escola de Ciência da Saúde UNIGRANRIO;
Terapeuta Capilar – Curso de Excelência da Universidade do Estado do Rio de Janeiro/ UERJ
Membro da Sociedade Italiana de Tricologia
Esteticista Facial e Corporal – Escola Payot/ RJ
Docente convidada para ministrar sobre Tricologia, em cursos de Pós-Graduação em diversas instituições universitárias;
Colaboradora de diversos sites, livros e revistas.
Diversos cursos no Brasil e Exterior.

Centro Capilar Sheila Bellotti

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